Design sustentável: por que você deve aplicá-lo na sua empresa?

É chocante, mas não é novidade para ninguém: o planeta se encontra em estado crítico de desequilíbrio ambiental, econômico e social. E os avanços tecnológicos e o consumismo desenfreado das últimas décadas são apenas algumas das razões que nos trouxeram até aqui. Como resposta, muitas pessoas vêm adotando um estilo de vida mais sustentável e,

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É chocante, mas não é novidade para ninguém: o planeta se encontra em estado crítico de desequilíbrio ambiental, econômico e social. E os avanços tecnológicos e o consumismo desenfreado das últimas décadas são apenas algumas das razões que nos trouxeram até aqui. Como resposta, muitas pessoas vêm adotando um estilo de vida mais sustentável e, a fim de atender a essa crescente demanda, as marcas também estão transformando os seus produtos e serviços. E, para isso, já contam com uma tendência que vem ganhando cada vez mais força nos últimos anos: o design sustentável.

Um conceito, vários significados

Em poucas palavras, podemos definir o design sustentável como a criação de produtos e serviços que estejam em sintonia com a preservação do ecossistema. Entretanto, sustentabilidade não tem a ver só com o meio ambiente — mas, também, com o bem-estar das pessoas — então esse conceito é bem mais amplo e complexo. Ele surge da fusão do ecodesign e do design social, e ainda se preocupa que isso seja economicamente viável. 

Do ponto de vista ambiental, para que alguma solução em design possa ser enquadrada, de fato, como sustentável, não basta que os produtos e serviços sejam ecológicos apenas em sua forma de uso. É necessário considerar todas as etapas dos seus ciclos de vida, como a produção, o consumo e o descarte. Dessa forma, os designers que desejam trabalhar nessa área precisam ter uma visão sistêmica e estratégica de todo o processo produtivo.

Além disso, o design sustentável leva em conta o contexto social em que os produtos e serviços estão inseridos. Afinal, pouco adianta ser inovador, reciclável e orgânico se for produzido por meio de trabalho infantil, por exemplo. Assim, a atuação do designer passa pela criação de produtos que geram um valor compartilhado para todos.

E design sustentável é um bom negócio?

Como vimos, os produtos e serviços desenvolvidos a partir do design sustentável contribuem para a conservação do meio ambiente e ainda geram benefícios para todas as partes envolvidas. E os resultados positivos trazem reflexos para as empresas, visto que também fazem parte desse ecossistema, não é mesmo? 

E, como se já não bastasse, as empresas também se beneficiam diretamente da aplicação do design sustentável em seus produtos e serviços. Primeiro, porque alguns materiais podem ser reaproveitados para a fabricação de novos itens e, segundo, porque isso diminui a geração de resíduos — e ambas as situações reduzem os custos de produção.

Outras consequências favoráveis são que o design sustentável melhora a qualidade dos produtos e serviços, ao pensar na cadeia produtiva como um todo, e ainda reforça conceitos que são importantes para os consumidores conscientes, agregando mais valor às marcas. 

Assim, algumas empresas já estão pensando as suas criações a partir do design sustentável, tornando os seus produtos e serviços mais colaborativos e, consequentemente, aumentando a competitividade da sua marca. Conheça alguns cases inspiradores!

#1 City Tree

A poluição do ar já atinge 90% das pessoas, principalmente nas grandes cidades, e esse problema é considerado o maior risco ambiental para a saúde, sendo responsável por cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano. Os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi pensando nisso que a startup Green City Solutions criou a City Tree. 

Ela é, basicamente, um painel de musgo de 3,5 metros quadrados, que filtra uma quantidade de ar equivalente ao “trabalho” de 275 árvores. E não é só isso! Ela também utiliza a tecnologia de Internet das Coisas para potencializar a sua função: fornecer, em tempo real, as condições do ar local e os dados sobre o seu próprio desempenho, acionando o serviço de manutenção quando necessário. 

A City Tree, além disso, é autossuficiente em termos energéticos, devido à uma placa solar acoplada ao painel. E ainda funciona como um banco, contribuindo para a melhor utilização do espaço público, que se torna, dessa forma, mais interativo. Assim, ela traz inovação e sustentabilidade, atuando em múltiplas questões: saúde, meio ambiente e convívio. 

#2 Pantys

A Pantys é uma marca vegana, certificada como Empresa B (visa como modelo de negócio o desenvolvimento social e ambiental), que vende, principalmente, calcinhas absorventes.  Elas são uma produção 100% ecológica e duram aproximadamente 2 anos, economizando os mais de 400 absorventes que você gastaria nesse período. E, ao ser descartada, a calcinha se degrada em três anos — bem menos do que o intervalo de 100 a 500 anos do absorvente — por não conter materiais sintéticos, nem aditivos químicos.

Além de serem sustentáveis, as calcinhas buscam trazer o máximo de conforto e segurança para as mulheres no período menstrual, que costuma ser muito desconfortante. Para isso, são compostas por quatro camadas de tecido: a primeira para garantir o conforto durante o uso, uma para matar as bactérias e reduzir os odores, outra super absorvente para reter o fluxo e a última à prova d’água, evitando que o sangue vaze. 

E, para completar o cuidado da Pantys, as calcinhas são hipoalergênicas e o design das peças foi pensado considerando o fluxo da menstruação: leve, moderado ou intenso. Assim, os modelos garantem conforto e beleza, valorizando ainda mais a autoestima das mulheres.

#3 ONG Habitat for Humanity 

A ação da Habitat for Humanity em parceria com a agência de publicidade BETC/Havas já foi reconhecida mundialmente: a primeira vez em Cannes, em 2018, e a mais recente, no New York Festivals. Motivos não faltam! O “Pôster Solúvel” é uma ideia simples, eficiente e de custo relativamente baixo, que inovou em termos educativos, ambientais e sociais.Basicamente, ela consiste em colar cartazes educativos sobre dengue, zika e chikungunya em locais de maior vulnerabilidade. Nada demais, se não fosse uma diferença: esses cartazes, por si só, já são uma medida de combate ao mosquito Aedes Aegypti, porque são feitos de arroz, tinta solúvel, cola orgânica e larvicida biológico.

Assim, após uma chuva, o cartaz se derrete e o larvicida é levado, com a água, para possíveis locais de foco. Dessa forma, os cartazes atuam em uma questão de saúde pública — tanto na conscientização das pessoas quanto no combate direto ao mosquito — e ainda impactam positivamente o meio ambiente (evitando o descarte de papéis, por exemplo). E tudo isso de forma economicamente viável.

Como essas, existem diversas outras ações em que podemos observar o design sustentável atuando de forma multidisciplinar, a fim de criar soluções para problemas reais e urgentes. E, considerando que os consumidores estão cada vez mais atentos e exigentes, a tendência é que elas se tornem mais frequentes, como já vem acontecendo com as inovações de design com propósito