Design e impacto positivo: a importância de inovar com propósito

“Qual deve ser o foco de um designer?”. “Existe prioridade no trabalho criativo?”. “Para qual direção o design deve caminhar?”. Essas são algumas perguntas que dificilmente têm uma única resposta. Porém, se nos orientarmos pelos principais eventos de criatividade e negócios que já aconteceram neste ano, podemos encontrar um caminho que passa muito pela ideia

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“Qual deve ser o foco de um designer?”. “Existe prioridade no trabalho criativo?”. “Para qual direção o design deve caminhar?”. Essas são algumas perguntas que dificilmente têm uma única resposta. Porém, se nos orientarmos pelos principais eventos de criatividade e negócios que já aconteceram neste ano, podemos encontrar um caminho que passa muito pela ideia de impacto positivo.

Afirmamos isso, porque em festivais de inovação altamente relevantes, como o SXSW, o C2 Montreal e o Cannes Lions, a questão do compromisso com os problemas humanos foi um dos grandes destaques. 

Em quase todas as categorias do SXSW, por exemplo, os projetos vencedores foram aqueles que supriam necessidades reais de pessoas – desde um dispositivo que monitora a qualidade da água até um serviço que usa um óculos para conectar deficientes visuais a profissionais habilitados a descrever as experiências que eles estão vivendo, como uma visita a um museu ou a leitura de um quadro de informações (imagem abaixo). E mesmo com toda variedade de projetos reconhecidos no evento, é fato que a inovação com impacto deu o tom da edição deste ano. 

Inovando com impacto positivo 

Para muita gente, bom design sempre foi aquele que tem um bom propósito. A diferença é que, agora, essa ideia passou a ser priorizada por vários profissionais da área. E quando os principais eventos de criatividade trazem esse assunto para o centro das discussões e começam a considerar o impacto positivo de um projeto na hora de definir os vencedores, a seguinte mensagem é passada: humanos devem ser o foco dos negócios que querem chamar a atenção dos novos consumidores.

Nesse sentido, se estamos falando de projetos que solucionam questões complexas e melhoram determinado aspecto na vida das pessoas, o design pode contribuir significativamente – afinal, estamos falando de uma área com vocação para inovar e resolver problemas

Impacto positivo que vale um Cannes

No Cannes Lions de 2019, das 28 categorias principais, 20 prestigiaram com o Grand Prix (a premiação máxima) projetos com contribuições para a igualdade de gênero, inclusão social, sustentabilidade, diversidade, acessibilidade, entre outras.

E não é mera coincidência: nesta edição, o festival criou uma diretriz para orientar os jurados no combate aos estereótipos de raça, gênero, etnia e idade. O objetivo era incentivar avaliações focadas na representatividade e na promoção da igualdade.

Não à toa, os resultados seguiram bem essa linha. No Grand Prix de Design, por exemplo, o prêmio foi para o projeto Creatability (junção das palavras “criar” e “habilidade”, em inglês), do Google Creative Lab. A plataforma experimental tem o objetivo de tornar a criatividade mais acessível para pessoas com deficiência, oferecendo ferramentas e interfaces de criação inovadoras. É possível, por exemplo, produzir uma música a partir do movimento da cabeça ou de outra parte do corpo. Confira no vídeo (em inglês):

Design com propósito

Para um projeto ter impacto positivo no mundo e na vida das pessoas, não é preciso mobilizar alta tecnologia e grandes investimentos. Existem vários trabalhos que utilizam o design para resolver problemas importantes por meio de inovações, aparentemente, simples.

Aqui no Brasil, a Furf Design Studio criou uma capa adaptável e colorida para próteses de perna que teve alto impacto na autoestima dos amputados. Geralmente, os produtos desse tipo são caros e pouco atrativos esteticamente, já que tentam a imitar a cor da pele. Já a Confete (nome da capa criada pela Furf) é produzida com um material mais econômico – até 80% mais barato –, colorido e personalizável, o que encoraja as pessoas a mostrarem as próteses ao invés de escondê-las. 

Outro trabalho interessante que mostra como é possível gerar impacto positivo por meio de inovações “simples” é a Fit Pack, da Corona. Apostando em um sistema de roscas, a marca desenvolveu latas de cerveja que se encaixam umas nas outras, dispensando o uso de plástico ou anéis para serem transportadas. O projeto faz parte do compromisso da empresa em se tornar líder do setor na utilização de embalagens que não impactam o meio ambiente. 

Não restam dúvidas: temas como sustentabilidade, diversidade e acessibilidade não podem mais ser deixados de lado nas estratégias corporativas. A nova economia exige que as marcas se esforcem em inovar, principalmente com propósito. Gerar impacto positivo é mais que uma tendência, é uma necessidade – e o trabalho do design tem uma contribuição imensa nesse cenário.