Por que o brainstorm pode não ser a melhor escolha para o seu processo criativo?

Quem trabalha com processos criativos sabe que, nem sempre, os insights surgem naturalmente. Assim, com frequência, precisamos pedir ajuda aos colegas. Afinal, duas cabeças sempre pensam melhor do que uma e não é à toa que projetos cocriados tendem a ser mais efetivos. Mas para que tudo isso flua da melhor maneira, esse processo precisa

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Quem trabalha com processos criativos sabe que, nem sempre, os insights surgem naturalmente. Assim, com frequência, precisamos pedir ajuda aos colegas. Afinal, duas cabeças sempre pensam melhor do que uma e não é à toa que projetos cocriados tendem a ser mais efetivos. Mas para que tudo isso flua da melhor maneira, esse processo precisa ser bem organizado. Por isso, muitos profissionais utilizam de técnicas como o brainstorm para facilitar a criação. Mas será que ele é a melhor alternativa?

Primeiramente, o que é um brainstorm?

Traduzida para o português, essa palavra significa “chuva de ideias”. Corriqueiramente, esse termo é usado para sugerir, até mesmo, uma troca de ideias informal sobre algum projeto. Mas, na verdade, o brainstorming é uma reunião com técnicas e métodos específicos para que seja melhor aproveitada entre os participantes.

Geralmente, ele é agendado com antecedência, para que as pessoas possam refletir sobre o tema, mas sempre com o cuidado de não levar ideias fechadas para a reunião. Além disso, um facilitador deve estar presente, a fim de evitar que o momento seja caótico, controlando o tempo e garantindo que todas as questões necessárias serão discutidas. 

Outro ponto essencial nessa prática é o ambiente, que deve ser pensado para facilitar a colaboração, deixando os participantes confortáveis para apresentar suas ideias. Após preparar tudo isso, é preciso apresentar claramente o objetivo da reunião e, a partir daí, uma pessoa complementa a ideia dita por outro colega, chegando em soluções que provavelmente não conseguiriam sozinhos. 

Mas, afinal, quais as desvantagens dessa metodologia?

Apesar do brainstorm representar um avanço em relação ao processo criativo, quando comparado a um pensamento individual, ele pode não ser o método mais recomendado para a cocriação. A professora Leigh Thompson, da Kellogg School of Management, garante que não. De acordo com ela — e com uma pesquisa realizada na Universidade do Texas — esses são alguns dos argumentos que embasam a afirmação:

#1 – As pessoas não se sentem completamente confortáveis para expor suas ideias em voz alta

Mesmo considerando que a técnica de brainstorm preza por um ambiente acolhedor, em que as ideias apresentadas não serão julgadas, isso nem sempre ocorre. O motivo é que algumas pessoas têm maior dificuldade de se expressar em certos momentos — o que pode ser traço de uma personalidade mais introspectiva ou, até mesmo, um sentimento de vergonha ocasionado pela situação. Assim, boas ideias (ou aquelas ruins que resultariam em soluções interessantes) simplesmente não são ditas.

#2 – Ideias ruins ditas com boa eloquência parecem mais atrativas 

É natural que algumas pessoas tenham maior facilidade em expressar suas opiniões, o que é muito positivo! Mas, em um brainstorm, isso pode ter consequências não desejáveis: em uma reunião de quatro pessoas, é provável que dois dos participantes monopolizem cerca de 62% da conversa. E, assim, essas pessoas podem sugerir algumas ideias que não são tão boas mas, por serem ditas de uma forma convincente, têm um nível de aceitação maior.

#3 – As primeiras ideias influenciam desproporcionalmente o restante da reunião

O brainstorm, inicialmente, tem como objetivo ser um estímulo de criatividade para o desenvolvimento de um projeto — mas não é a criação do projeto em si. Por isso, as primeiras ideias compartilhadas (provavelmente pelas pessoas mais desenvoltas) tendem a direcionar toda a reunião. Ou seja, essas sugestões tendem a ser apenas complementadas pelos participantes e, desse modo, novas alternativas não são colocadas na mesa.

E se o brainstorm pode não ser indicado, qual a melhor opção?

A professora Leigh Thompson — e a Universidade do Texas — apontam a técnica chamada de brainwriting como alternativa mais eficiente. O curioso é que essa técnica segue alguns dos princípios do brainstorm, como a presença de um facilitador e a apresentação de objetivos claros. A diferença é que há um tempo para os participantes escreverem suas ideias de forma anônima. Isso é importante porque traz para a conversa ideias de pessoas mais tímidas ou profissionais iniciantes, que também podem ficar inibidos. 

Depois, todas as ideias são apresentadas para a discussão, possibilitando o surgimento de outras ideias e tornando a reunião ainda mais criativa e equilibrada. Essa metodologia já foi adotada por algumas equipes de sucesso, como os produtores da série de televisão americana Breaking Bad e a equipe da Kellogg School of Management. Dessa forma, podemos concluir que o brainwriting é, no mínimo, interessante.

De modo geral, é sempre bom termos opção de escolha quando se trata de processo criativo. Isso porque cada técnica pode ser melhor para uma determinada situação e não para outra, de acordo com o próposito e o perfil dos participantes. E nada impede de conciliarmos dois ou mais métodos, como o brainwriting e o brainstorm, caso isso otimize o potencial de inovação das pessoas, permitindo uma discussão mais enriquecedora.