Design Thinking: como usá-lo para inovar seu modelo de negócio?

Em um cenário tão competitivo e de transformações digitais aceleradas, identificar oportunidades de negócios inovadores não é tarefa simples. Então como se manter relevante para o seu público e alcançar resultados sustentáveis ao longo do tempo? Felizmente, o Design Thinking oferece ferramentas interessantes para que designers e marcas repensem modelos de negócios, desenvolvam novas perspectivas,

INFO

Em um cenário tão competitivo e de transformações digitais aceleradas, identificar oportunidades de negócios inovadores não é tarefa simples. Então como se manter relevante para o seu público e alcançar resultados sustentáveis ao longo do tempo? Felizmente, o Design Thinking oferece ferramentas interessantes para que designers e marcas repensem modelos de negócios, desenvolvam novas perspectivas, criem soluções diferenciadas e agreguem mais valor aos seus produtos e serviços. Saiba como! 

Primeiro, vamos entender quando buscar inovação 

O modelo de negócio é a base de qualquer empresa. Por isso, em um cenário que está sempre se transformando com a chegada de novas tecnologias, é importante que as marcas estejam dispostas a rever suas estratégias constantemente — o que pode ser feito em parceria com a equipe de design. Mas será que existe um momento ideal para isso?

A especialista em estratégia e inovação Rita McGrath afirma que um dos sintomas de que um modelo de negócios precisa ser repensado é quando a equipe enfrenta dificuldades para criar novas melhorias ou, em casos mais extremos, quando a base de clientes começa a abandonar a empresa por outras alternativas do mercado. Entretanto, as marcas não precisam chegar em um estágio de crise para repensar seus modelos de negócios.

Os consultores da Bain & Company, Kevin Murphy e Neysa Colizzi, afirmam que “bons líderes mudam quando eles precisam. Líderes de excelência mudam quando desejam.”. Enquanto o medo trazido por uma crise vem acompanhado de um entendimento claro do perigo que “vem pela frente”, a vontade de fazer algo melhor traz perspectivas menos concretas. Mas, nesse último cenário, há mais espaço para a inovação. Não se trata de lidar com o inevitável, mas sobre trabalhar com o possível. É mais difícil, mas recompensador. 

A Fujifilm, por exemplo, antecipou o futuro dos filmes fotográficos e, entendendo suas competências na área química, entrou nos mercados da cosmética e da saúde. A marca mostrou que, ao identificar o que gera valor para os negócios, mapear as competências e entender quais são os elementos que requerem cuidado, ela tem recursos suficientes para dar um passo à frente em um cenário que está sempre se reconfigurando. 

Já o Airbnb, fundado pelos designers Nathan Blecharczyk, Brian Chesky e Joe Gebbia, transformou paradigmas no mercado, tornando-se a maior rede de hospedagem do mundo sem possuir um único hotel. A empresa aproveitou o modelo “as a service” (“como um serviço”, em português) — que possibilita o acesso a um produto ou serviço sem ter a sua propriedade — para conectar pessoas com bons espaços disponíveis à pessoas que precisam deles temporariamente.

Mas qual é a relação entre modelos de negócios e Design Thinking?

Um modelo de negócio é a maneira com que uma marca cria, entrega e captura valor. É a lógica de operação de uma empresa. Nesse contexto, Clayton Christensen, professor da Harvard Business School, enfatiza a importância de se manter o foco na proposta de valor para o público. E o Design Thinking é, em essência, uma abordagem centrada nas pessoas. 

Difundido pelo fundador da empresa de inovação IDEO, David Kelley, e pelo CEO da companhia, Tim Brown, o Design Thinking é uma abordagem que se estrutura em ferramentas de pesquisa intensa, além de cruzamento e visualização de dados, para solucionar problemas de maneira holística.

O objetivo é instigar a criatividade, curiosidade e o aprendizado dos designers para a criação de soluções. Por isso, ele oferece técnicas fundamentais — como entrevistas, pesquisas de imersão, cliente oculto e brainstorming (desde que ele envolva profissionais de diferentes áreas) — para mergulhar na realidade de seus clientes, conhecer melhor suas necessidades e interesses e inovar as ações estratégicas da sua marca. 

Na Europa, a Volkswagen foi uma das empresas que usou o Design Thinking a seu favor. A partir dessa abordagem, a marca lançou um serviço de carros compartilhados, o Quicar,  que atende tanto pessoas físicas quanto empresas. Assim, com a oferta de planos personalizados de acordo com as necessidades e desejos dos clientes, a montadora ganhou chances de explorar as possibilidades da economia compartilhada.

Já no Brasil, uma das marcas que aplicou essa abordagem com sucesso foi a Natura. Para isso, pesquisadores da marca foram à casa de vários clientes, a fim de entender como eles lidavam com os produtos para cabelos. E descobriram que, para pagar menos e reduzir o espaço ocupado no armário, as pessoas compravam refis e os usavam como produtos finais. Com esses dados, a empresa criou a linha “Sou”, que oferece itens 30% mais baratos em relação às linhas básicas e embalagens que reduzem em 50% o impacto ambiental.

E como essa técnica pode ser aplicada na sua marca? 

Para conhecer a fundo o público de uma empresa, o Design Thinking se estrutura em três etapas básicas. Entenda como elas podem colaborar com a inovação da sua marca:

1. Conheça o seu público

Estamos na era da transformação digital, e o comportamento dos clientes muda com muita agilidade. Por isso, é tão importante que as marcas otimizem o diálogo com seus clientes, investindo em canais de relacionamento que permitam um contato mais próximo e constante no dia a dia. Além de processos de imersão mais específicos, periodicamente, para antecipar insatisfações, detectar oportunidades de mercado e entender os diferenciais da marca. Técnicas como cliente oculto e entrevistas podem ajudar nesse processo. 

2. Incorpore processos de cocriação

Os dados coletados nas imersões são essenciais para construir uma proposta de valor coerente com as necessidades e desejos do seu público. Então, após analisar essas informações, é hora de partir para a ideação. Em uma proposta mais colaborativa e alinhada aos princípios do Design Thinking, os clientes podem fazer parte desse processo de cocriação, acompanhando todo o projeto ou algumas etapas específicas.

3. Crie protótipos

A prototipagem ou criação de um MVP (Minimum Viable Project ou Produto Mínimo Viável) é uma das etapas mais valorizadas em um processo de Design Thinking. É a análise do protótipo que permite diagnosticar, em tempo hábil, questões a serem solucionadas antes do produto ou serviço chegar ao mercado. Ele também ajuda a minimizar desafios relacionados à precificação e a realizar testes de aceitação com alguns clientes. 

Para promover transformações disruptivas e entregar valor aos clientes, as marcas precisam sair da zona de conforto, buscando perspectivas e olhares ainda não explorados. No Design Thinking, o processo de desenvolvimento do produto ou serviço é contínuo e os designers são estimulados a trabalhar ainda mais o seu potencial de inovação. Portanto, tenha em mente que a sua ideia de modelo de negócios pode ser constantemente aprimorada por meio de processos de cocriação e análise crítica.