Geração Alpha: você precisa conhecer o que está por vir

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O estudo das gerações não é uma ciência precisa e muito menos consensual. Existem divergências em relação às datas exatas que limitam cada grupo, porque há forte influência de uma geração sobre a outra, principalmente nas transições. Ainda assim, fazer esse tipo de análise pode ser muito útil para as marcas entenderem as tendências de comportamento de seus consumidores e, dessa forma, traçarem estratégias mais acertadas. 

De forma geral, existem os Baby Boomers, que são as pessoas nascidas entre 1946 a 1964 e conhecidas pela sua dedicação ao trabalho. Depois, há a Geração X, nascidos até fins de 1970 e que valorizam a estabilidade financeira e a qualidade de vida. De 1980 a 1995, vieram os Y, chamados também de Millenials, que buscam a felicidade e boas experiências. E, nos anos 2000, a Geração Z, famosa pela íntima relação com a tecnologia e o ativismo. 

E quem é a Geração Alpha?

São as crianças nascidas desde o ano 2010 — e isso significa que elas não conhecem a vida sem o intermédio das telas e da tecnologia. Você pode estar pensando que essa situação não é novidade, afinal, a Geração Z também é conhecida como “nativa digital”. É verdade! Mas boa parte dessa geração se lembra da chegada da internet em suas casas e dos telefones que ainda não eram smartphones, como hoje.

Na Geração Alpha, tudo isso já causa estranhamento: os aparelhos analógicos parecem relíquias e a vida off-line é vista como algo inimaginável. Para se ter uma ideia, em 2010, a Apple lançava o iPad. Para as empresas, esses consumidores digitais não são ainda muito conhecidos, em função da pouca idade, mas eles já estão impactando o mundo em diversos aspectos importantes — e as marcas precisam ficar atentas ao que vem pela frente!   

Saúde

Alguns estudiosos, como o psicólogo Roberto Balaguer, professor da Universidade Católica do Uruguai, afirmam que, por causa da forte presença da tecnologia, a Geração Alpha será menos propensa a interações sociais. Consequentemente, ela terá mais dificuldades para se comunicar oralmente, redução da qualidade do cuidado parental e sofrerá com mais limitações emocionais. E tudo isso pode afetar significativamente a sua saúde mental.

A tecnologia pode impactar também na saúde física dos Alphas. Os transtornos oftalmológicos, por exemplo, serão mais frequentes, pois a alta quantidade de luz das telas dos computadores e celulares prejudicam a visão. E isso já vem acontecendo: em 2019, uma criança de 4 anos, na Tailândia, precisou de intervenção cirúrgica, para não perder de vez a visão, devido ao excesso de tempo gasto no tablet e no smartphone.

Aprendizado

Balaguer afirma também que a Geração Alpha terá maior incidência de déficit de atenção, pois a capacidade de se concentrar será comprometida pelos diversos estímulos recebidos on-line. Já outros pesquisadores acreditam que, devido a esses estímulos, a nova geração terá mais facilidade ao resolver problemas e poderá ser mais esperta e inteligente. 

Por isso, as instituições de ensino precisam de um novo formato e isso já vem sendo desenvolvido nos últimos anos: a Educação 4.0. Dessa forma, as escolas terão que investir em tecnologia, para proporcionar à Geração Alpha experiências menos lineares, além de pensar em trajetórias de aprendizado diferenciadas e cada vez mais dinâmicas. 

A educação em casa também tende a mudar, porque os pais dessa geração são, via de regra, os Millennials, que dividem melhor as tarefas domésticas entre os integrantes da família e têm mais abertura para o diálogo. Assim, os Alphas crescerão com menos hierarquia e podem se tornar adultos mais questionadores, com valores mais democráticos. 

Mercado de trabalho

É cedo para dizer o que as crianças da Geração Alpha serão quando crescer, pois algumas profissões simplesmente ainda não existem! Isso porque os Alphas vão entrar no mercado de trabalho quando, provavelmente, os robôs já estiverem tomando os nossos empregos. Assim, os Alphas terão que criar as suas novas profissões. E, para isso, precisarão ser mais flexíveis e desenvolverem mais as suas habilidades empreendedoras e criativas.  

Mas já é possível ver alguns nichos de trabalho que a Geração Alpha tem afinidade. A produção de conteúdo para mídias digitais, por exemplo, será uma grande força, porque essas crianças já são, hoje, uma das maiores consumidoras e produtoras desse segmento.

Segundo a revista Forbes, o youtuber mais bem pago do mundo, em 2018, foi um menino de 7 anos, que testa brinquedos em seu canal, o Ryan ToysReview, faturando cerca de 22 milhões de dólares por ano. E tem mais: uma pesquisa da Lego constatou que as crianças Alphas sonham mais com a carreira de digital influencer do que a de astronauta.

E qual o impacto dessa nova geração para os negócios?

Essas crianças já vem impactando as empresas nos últimos anos, afinal, elas são mais que familiarizadas com as mídias digitais. Assim, mesmo com as regras de publicidade infantil no YouTube Kids, consomem uma grande variedade de conteúdos, como anúncios, reviews e posts de novos produtos. E, a partir disso, assimilam as informações e criam suas próprias opiniões, que são compartilhadas com os pais — e geralmente aceitas por eles.

Além disso, estimativas mostram que, em 2025, a Geração Alpha terá mais de 2 bilhões de pessoas, segundo reportagem da BBC. Ou seja, ela representará uma parcela considerável de consumidores, que vão influenciar diretamente as decisões estratégicas das empresas, principalmente aquelas que têm produtos ou serviços mais voltados para os jovens. Mas como as marcas podem se comunicar com essa nova geração?  

Não existe uma resposta única ou receita pronta para isso. Mas uma coisa é certa: as marcas precisam criar conteúdos lúdicos, que consigam promover experiências positivas e inovadoras para pais e filhos, construindo, assim, um bom relacionamento com os Alphas. E, ao longo do tempo, elas têm que acompanhar as tendências de comportamento desses consumidores, a fim de sempre rever as suas ações estratégicas a favor dos novos ventos.

O futuro será cada vez mais pertencente à Geração Alpha, que já nasce inserida no mundo digital. Assim, é importante que as empresas reforcem sua presença na internet, com sites, blogs, redes sociais e outras formas de interação que permitam se conectar com esses novos consumidores. E, para isso, é preciso que marcas e designers pensem juntos as suas estratégias, com foco em conteúdos criativos e experiências inovadoras. 

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