Como a sustentabilidade alimentar pode transformar o mercado?

O alerta da comunidade científica é claro: se não tomarmos atitudes para preservar o meio ambiente, as consequências do colapso climático poderão ser devastadoras. Cada um deve fazer a sua parte, e as empresas, que detém recursos para não só reduzir, como também reparar seus impactos socioambientais, precisam agir com celeridade. Pensando nisso, cada vez

INFO

O alerta da comunidade científica é claro: se não tomarmos atitudes para preservar o meio ambiente, as consequências do colapso climático poderão ser devastadoras. Cada um deve fazer a sua parte, e as empresas, que detém recursos para não só reduzir, como também reparar seus impactos socioambientais, precisam agir com celeridade. Pensando nisso, cada vez mais profissionais do mercado alimentício vêm chamando atenção para a sustentabilidade alimentar. Já ouviu falar nesse termo? 

Ele ganhou tanta importância que, no ano passado, foi tema de uma publicação realizada pela plataforma científica global de transformação do sistema alimentar EAT e vem provocando reflexões entre diversas marcas. Quer saber mais? Vem conferir nosso artigo! 

O que é sustentabilidade alimentar? 

Um dos maiores desafios que temos pela frente é oferecermos uma dieta saudável, com sistemas alimentares sustentáveis, para uma população mundial crescente. Segundo um relatório publicado pela ONU, 820 milhões de pessoas sofrem com a fome em várias partes do mundo. Enquanto isso, um grande número de pessoas consomem dietas de baixa qualidade ou em excesso, causando riscos à saúde e para a resiliência de ecossistemas. 

Para mudar esse cenário, pesquisadores de diferentes áreas vêm defendendo a sustentabilidade alimentar, que pode ser alcançada por uma série de iniciativas a partir de um esforço conjunto de instituições de pesquisa, indústrias, governos e comunidades. 

Alinhada com esse objetivo, a plataforma científica EAT convocou 37 pesquisadores de 16 países e diferentes disciplinas para estabelecer um plano estratégico universal. Ele aborda, detalhadamente, os seguintes pontos: 

  1. Obter um compromisso internacional e nacional para promover dietas saudáveis.
  2. Reorientar as prioridades agrícolas de produção de grandes quantidades de alimentos para produzir ingredientes saudáveis.
  3. Intensificar de maneira sustentável a produção de alimentos para aumentar a produção de alta qualidade.
  4. Governança forte e coordenada da terra e dos oceanos.
  5. Reduzir pelo menos pela metade as perdas e os desperdícios de alimentos, seguindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Parece ambicioso? Bom, construir uma nova realidade exige grandes sonhos e objetivos. E a boa notícia é que essa mentalidade já vem fazendo empresas de diversos portes repensarem suas práticas, como veremos a seguir!

crianca-comendo-fruta-saudavel
Adotando a sustentabilidade alimentar, mais famílias passam a comer mais e melhor

Quais mudanças a sustentabilidade alimentar vem trazendo ao mercado?

Para ajudar as pessoas a fazer a transição para dietas mais saudáveis e viabilizar escolhas alimentares sustentáveis, algumas marcas já estão traçando novas estratégias. Confira alguns exemplos inspiradores!

1. Estratégias de negócios guiadas pela sustentabilidade

Marcas que desejam colaborar com a sustentabilidade alimentar e com o alcance dos ODS, precisam levar essas pautas para seus planos estratégicos de produção e crescimento. Alinhada com essa mentalidade, a Unilever anunciou, em novembro deste ano, a meta global “Alimentos do Futuro”, que vai transformar as operações de várias das suas marcas. 

Entre as ações previstas, está a expansão da venda de carnes à base de plantas — como as da Vegetarian Butcher, recentemente adquirida pela Unilever — e de alternativas aos laticínios em um prazo de 5 a 7 anos. Além disso, no prazo de cinco anos, a empresa se comprometeu a reduzir em 50% o desperdício de alimentos em todas as suas operações, bem como os níveis de calorias, sal e açúcar em todos os produtos. 

A companhia também vai investir 1 bilhão de euros em um novo Fundo de Clima e Natureza e garantiu que todas as suas embalagens plásticas serão reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025.

Pensando em produzir alimentos mais sustentáveis, diversas marcas já transformaram sua produção

2. Incentivo à alimentação à base de plantas

A produção de carne e derivados de animais tem um grande impacto ambiental. Quer ter uma noção de quanto? Um estudo realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que quase 85% das terras desmatadas na Amazônia estão em áreas de pastagens. Uma boa parte dos consumidores vem se conscientizando sobre esses problemas e adotando o veganismo como estilo de vida, fazendo com que produtos baseados em plantas sejam promissores no mercado. 

A Fazenda do Futuro sabe muito bem disso. Ela é uma das startups foodtechs (especializada em alimentação) de maior destaque no país e criou um alimento vegano que imita o sabor e a textura da carne: o Hambúrguer do Futuro. O produto — que leva ervilha, grão de bico, beterraba e soja não-transgênicos na receita, para proporcionar a mesma quantidade de proteína da carne — já está à venda em milhares de pontos no Brasil, como a rede de fast-food Bob’s.

Um aspecto curioso: ele é, estrategicamente, colocado nas gôndolas de carne e, não, de produtos veganos, justamente para que os não veganos possam conhecer essa alternativa.

sustentabilidade-alimentar-de-produtos-indrustrializados
O comportamento de consumo também influencia o mercado alimentício, que procura soluções que agreguem ao estilo de vida do público

3. Redução de desperdícios

Não é por acaso que a publicação da EAT aborda a importância de combatermos o desperdício de alimentos. Segundo a Fundação da ONU para a Alimentação (FAO), em 2019, 13 milhões de pessoas passavam fome no Brasil. No mesmo ano, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimava que o brasileiro jogava fora, em média, 41,6 quilos de comida por ano. A conta não fecha, né?

Quem já vinha dando um bom exemplo nesse quesito, antes mesmo da EAT publicar o seu relatório, é a Brownie do Luiz, que, como o nome indica, fabrica e vende brownies. A marca carioca logo percebeu que aquelas casquinhas deixadas pelo bolo no tabuleiro (e que você adora comer, pode contar!) também davam uma deliciosa sobremesa. Assim, eles decidiram vender as casquinhas do brownie, em latas decorativas, e faz o maior sucesso!

Para evitar o desperdício de alimento, as empresas precisam usar a criatividade, como o Brownie do Luiz fez, garantindo novas oportunidades

A sustentabilidade alimentar é um passo essencial para alcançarmos um futuro de desenvolvimento sustentável, mas ela exige o comprometimento de todos. Se temos a possibilidade de fazer escolhas, é também preciso arcar com as responsabilidades que elas trazem, entendendo que nossos hábitos de consumo e práticas de produção causam impactos reais para o planeta. Vamos encarar esse desafio juntos?

Ei, não vá embora ainda não! Acompanhe a gente também lá no Instagram, Facebook e Linkedin e se inspire com nossos insights!

Receba mensalmente nossos
insights sobre branding e negócios