Embalagens sustentáveis: quais alternativas estão transformando o mercado?

Se inicialmente as embalagens exerciam as funções primárias de proteger os produtos, além de facilitar o processo de medidas e o transporte, hoje elas são uma das interfaces mais importantes para que as marcas comuniquem seus valores e aproximem-se do universo dos consumidores. Mas, todo ano, aterros sanitários e oceanos recebem toneladas de embalagens descartadas

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Se inicialmente as embalagens exerciam as funções primárias de proteger os produtos, além de facilitar o processo de medidas e o transporte, hoje elas são uma das interfaces mais importantes para que as marcas comuniquem seus valores e aproximem-se do universo dos consumidores. Mas, todo ano, aterros sanitários e oceanos recebem toneladas de embalagens descartadas incorretamente, o gera um enorme impacto ambiental — e, por isso, vem impulsionando a criação de embalagens sustentáveis. 

Para reverter esse cenário de vez e continuar proporcionando boas experiências aos consumidores, diversas marcas estão repensando os seus processos. Por um lado, as empresas vêm adotando a prática da logística reversa, que dá uma destinação mais correta aos resíduos; por outro, elas estão aplicando materiais ainda mais sustentáveis em suas embalagens. Para conhecer as novidades do mercado e realinhar a estratégia da sua marca, confira alguns insights reunidos neste artigo! 

O que levar em consideração ao implementar embalagens sustentáveis?

O descarte incorreto de embalagens provoca a contaminação de solos, rios e oceanos, afetando ecossistemas e, até mesmo, a nossa saúde. Seus processos produtivos também geram um grande impacto, como a emissão de CO2. Conscientes disso, cada vez mais pessoas têm buscado por alternativas que as ajudem a cuidar do planeta.

Um estudo realizado pela empresa de análises preditivas First Insight, com consumidores de até 22 anos, apontou que 73% deles pagariam mais por produtos eco-friendly. Já uma pesquisa de 2019 da Nielsen mostrou que 42% dos brasileiros estão repensando seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente.

Mas para ajudar esses consumidores e fazer sua parte, com a oferta de embalagens sustentáveis, as marcas precisam ficar atentas a alguns critérios. Um deles é o nível de segurança oferecido pelas materiais alternativos. Esse fator é especialmente importante no setor de alimentos e, no Brasil, fica a encargo de regulamentações da ANVISA.

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As embalagens sustentáveis são uma ótima alternativa para evitar a poluição ambiental e atender um mercado cada vez mais exigente

Outro critério importante são os processos de descarte. Afinal, uma boa parte dos consumidores não têm acesso à coleta seletiva, que cumpre um papel importante na destinação correta dos resíduos — no Brasil, apenas 17% da população é atendida por esse serviço de acordo com um estudo divulgado pelo Compromisso Empresarial de Reciclagem (CEMPRE) em 2018. Nesse caso, conscientizar as pessoas para fazerem escolhas mais inteligentes também é um ponto de atenção para as marcas. 

Por fim, as empresas precisam refletir sobre a autenticidade de seus discursos. Isso porque as práticas como o greenwashing — uma estratégia usada por marcas que afirmam serem sustentáveis, mas que não tomam medidas tangíveis para reduzir seus impactos ambientais — estão no radar de cada vez mais consumidores. Não adianta só usar um selo verde e continuar com atitudes que causam prejuízo ao planeta, né?

Quais alternativas estão tornando as embalagens mais sustentáveis?

Repensando materiais e processos, diversas marcas estão renovando o mercado de embalagens sustentáveis com soluções para ajudar a cuidar do nosso planeta!

1. Bioembalagens de fécula de mandioca

Na natureza, encontramos ótimos exemplos de embalagens que protegem os alimentos e que, ao serem descartadas, geram nutrientes para o solo: as cascas. Inspiradas por esse conceito, diversas marcas têm recorrido a matérias-primas naturais para desenvolver bioembalagens eficientes que se decompõem rapidamente sem produzir resíduos tóxicos — e algumas são até comestíveis!

Exemplo disso é a Oka Biotecnologia, uma empresa de pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia que, desde 1999, vem produzindo embalagens biocompostáveis, ou seja, que geram nutrientes no processo de decomposição. Feitas da fécula da mandioca, com ou sem adição de fibras naturais, as embalagens hoje atendem o mercado de alimentos, cosméticos, jardinagem, eletrônicos, brindes e consumo imediato.

Para reduzir os impactos gerados no meio ambiente com a produção de lixo, a Oka Biotecnologia desenvolveu embalagens sustentáveis e inovadoras

Outra empresa que também utiliza a fécula de mandioca para produzir embalagens biocompostáveis é a startup de tecnologia Já Fui Mandioca. Mas a marca não se contenta em reduzir seus impactos; ela também almeja deixar um legado positivo para o planeta. Por isso, além de criar embalagens sustentáveis e oferecer o serviço de logística reversa, a startup realiza a produção de copos com emissão de carbono negativa.

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A empresa Já Fui Mandioca é outro exemplo de responsabilidade social e ambiental, que transforma as suas embalagens e entrega valor aos consumidores

2. Plástico verde

Seguindo a linha das marcas que estão explorando o potencial das fontes renováveis, a Braskem — empresa brasileira produtora de resinas plásticas — lançou, em 2007, o polietileno verde, também conhecido como plástico verde. O biopolímero é obtido por meio do etanol da cana-de-açúcar, buscando aproveitar o potencial que o Brasil já tem para a produção do insumo. Segundo a Braskem, cada tonelada de polietileno verde produzido captura e fixa até 2,5 toneladas de CO2 que estavam na atmosfera. 

As embalagens produzidas com o plástico verde podem ser identificadas com o selo “I’m green™”, têm as mesmas propriedades e alcançam nível de desempenho semelhante ao da resina produzida com materiais de fonte não renovável. 

Com o intuito de reverter os danos ambientais e desenvolver uma produção mais sustentável, a Branskem desenvolve o plástico verde

3. Programas de logística reversa

Além de propor novos materiais, algumas marcas aplicam a tecnologia para incentivar a economia circular por meio de programas de logística reversa. Em 2019, a Nissim Foods do Brasil distribuiu postos de coleta, em São Paulo, para que as pessoas descartassem os copos do macarrão instantâneo Cup Noodles. Em seguida, as embalagens passam por um processo de triagem em cooperativas e são encaminhadas para uma indústria de papelão no Paraná, que separa o plástico da celulose e a reaproveita em seu processo produtivo. 

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Com o intuito de diminuir a produção de lixo, marcas como a Cup Noodles incentivam a economia circular e contam com parcerias para reaproveitar suas embalagens

O alerta da comunidade científica é claro: não há um planeta B. Portanto, é preciso cuidar do meio ambiente, preservando ecossistemas e freando as mudanças climáticas. Para isso, as marcas precisam ir além do discurso e colocar a sustentabilidade em prática. Da criação de embalagens sustentáveis a processos de descarte, as empresas precisam “pensar fora da caixa” para gerar soluções criativas, eficientes e seguras, conquistando um espaço cada vez maior no mercado e construindo um futuro melhor para as próximas gerações. 

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